terça-feira, 20 de dezembro de 2011

CAPÍTULO III - O baronato contra-ataca

Dúvidas?
Leia aqui o Capítulo I
Leia aqui o Capítulo II


CAPÍTULO III - O baronato contra-ataca

– Chamei todo mundo aqui na tenda pra não ter que falar duas vezes. E já é terceira vez que eu vou repetir a mesma história!!!
– Calma, Khosta, o que você está dizendo até é uma boa ideia, mas temos que decidir antes sobre o funeral de Lerandra – apaziguou Miranda. Cronus pediu a palavra:
– Olha, sobre o funeral: não poderemos fazer aqui em Argos. Eu tomei a liberdade de olhar os pertences dela e achei um brasão de família. Esse brasão está na sua espada e ornamentos de roupa também, eu só não sabia de que família era até ver o seu livro de magia.
– E você vai falar ou vamos ter que morrer pra saber?
Silêncio constrangedor em volta de Telus:
– O que foi? Tá, desculpa...
– Boooom... Lerandra é filha do chefe do clã mais importante de Álfheimr, nossa terra natal, o clã da Flecha Ligeira.
– O que isso quer dizer, Cronus? – Perguntou Alambique, num raro dia de sobriedade.
– É como se ela fosse uma princesa. E sendo filha de nosso líder, eu me sinto no dever de levá-la de volta para ter um funeral à altura. Acho que não poderei ajudá-los aqui na ilha.
Todos ficaram surpresos. Lerandra sempre foi altiva, mas nunca imaginaram que ela fizesse parte da realeza ou algo assim. Mas ficaram mais surpresos ainda quando Telus se levantou e disse: “Eu vou com você, orelhudo!”. O silêncio se fez presente, mas, desta vez, sem constrangimento. Só espanto mesmo.
– Mas... você é... Você é um anão. Eu não sei se posso te levar até minha...
– Eu não preciso entrar na sua cidade, só vou contigo até a divisa, até as muralhas ou até as cerquinhas que separam Álfheimr do resto do mundo, sei lá... Só para garantir que ela chegue até sua terra natal em paz.
– Ah, Telus, meu velho, eu sabia que você gostava dela! – cumprimentou-lhe Peter Paul com um tapinha nas costas.
– Quer saber, eu também irei! – se animou Alambique. Khosta voltou a pedir a palavra:
– Espera, espera! Antes que todo mundo vá, deixa eu explicar mais uma vez o que precisamos fazer por Argos... – e jogou a sacola de platina na mesa. – Vocês já se perguntaram por que o seu precioso César permitiu que esse “Ricardus sei-lá-do-que” se auto-proclamasse barão daqui?
– Ele não permitiu! – respondeu Alambique.
– Mas também não fez nada a respeito... Há mais de um ano que o Barão faz o que quer e nenhuma Legião de Titânia tomou conhecimento. Pois aqui, meus estimados amigos, está um bom motivo pra ele tirar aquele traseiro cabeludo do trono e mandar um monte de galeras cheias de titanianos para cá: grana! Arame! Bufunfa!
– Platina!!!
– Precisamente, meu óbvio Peter Paul.
Miranda emendou e esclareceu o plano do seu ex–pupilo:
– Entendo. Khosta, eu confesso que isso é muito inteligente. Ao invés de ficarmos aqui nos digladiando com as Armaduras Fantasma que não param de fazer ataques às vilas, podemos fazer a diferença conseguindo o apoio do Imperador Tibérius I. Ele, digo, o seu governo é que vai lucrar com a exploração dessas minas.
– E vai fazer questão de depor o Barão o mais rápido possível – finalizou Galiléia. – É, parabéns! Acho que podemos esquecer aquela história de que o senhor ficou escondido durante a batalha dentro do vulcão.
– “Senhor” está nos Campos Elísios, loirinha, pode me chamar de Augustos! – disse o mago cutucando a freira com cotovelo.
– É? E vamos esquecer também todas as vezes que encontramos tropas de Armaduras Fantasma na floresta e o “senhor Khosta” subiu numa árvore enquanto a gente levava porrada no chão? – o anão tinha boa memória...
– Ok, ok, você expôs o seu ponto, Telus...
Miranda ia continuar algum assunto quando a sineta de JJ tocou alertando todo o acampamento de perigo. Do lado de fora, uma sombra negra sobrevoou o vale, gelando o sangue de Telus e Peter:
– UAU... é um... é um...
– Um não, é “aquele”. ALGUÉM ME ARRUME UMA ESPADA!!! – Gritou o anão, sedento por vingança contra o dragão que quase arrancou suas peles com ácido no castelo de Irys.

Preocupada, Freira Galiléia ordenou que sua pupila, noviça Matiana, tirasse os civis do acampamento, enquanto Peter e Alambique procuraram algum ponto onde pudessem subir para atacar com suas flechas. O grupo já tinha sido surpreendido por ataques das Armaduras Fantasma antes e já tinha um sistema de defesa, mas não esperavam uma investida vinda do alto como aquela. A Ilha de Argos não tinha o histórico de ataque de dragões. Essas criaturas geralmente habitavam grandes cadeias de montanhas ou florestas fechadas.
Cronus jogou uma espada para Telus e se afastou do campo de batalha. Khosta, saindo da cabana podia, mesmo sem magia, ouvir o que pensavam seus aliados. Iria ele abandonar o acampamento com os demais? Se esconder numa barraca? Subir numa árvore?
            Talvez Galiléia tivesse a resposta para as dúvidas do mago. Ela foi a primeira a entrar em combate. Não com armas nas mãos, mas com sua fé. Fé na “boa luta” e na vitória dos justos que ela manifestava com um mantra de coragem em forma de música.
O dragão baixou a altura e, observando o centro, pôde fitar o anão nos olhos e delinear seu alvo. Baixando uma das asas ele mudou o rumo e desceu com o pescoço esticado e os dentes a mostra.
– Ele vai atacar!!! – gritou Alambique atirando flechas em cima do bicho.
            A arma de Peter era uma besta de pequeno porte, arma de nome jocoso que lhe rendia muitas piadas infames. Mas quando ele fez mira na criatura, viu algo que lhe estalou uma centelha: a coleira de platina.
            A força do vento que o rasante do dragão deu no acampamento fez voar barracas pra todo o lado, atrapalhando a mira dos demais arqueiros e lanceiros. Os que acertaram mal podiam ver se as flechas chegaram a transpassar suas grossas escamas.
Como se possuído estivesse, Telus permaneceu no centro do acampamento enquanto o gigante alado vinha em sua direção.
– Khosta, faça aquele feitiço dos raios novamente!!! – gritou Miranda:
Sem responder, ele saca de seu livro e procura algo ali, mas nada que viesse a tirar da manga chegaria a tempo de salvar o anão daquele primeiro rasante. O dragão atravessou todo o acampamento em segundos, jogando para o alto tudo o que não estivesse preso ao chão. Ele não passou sem levar flechadas e uma carga de setas de energia das mãos mágicas de Miranda, que aparentemente, de nada adiantou para cessar ou atrasar seu ataque. E quando a poeira baixou, viram que Telus não estava mais ali de pé. E nem caído.
Cronus saltou na direção do dragão com espada em punho e continuou subindo sem parar.
– O elfo está voando!!! – observou Galiléia.
– O anão também! – completou Alambique, vendo o amigo segurando com a mão a espada cravada abaixo da asa do dragão e segurando com a outra mão uma escama para não cair.
Com os olhos avermelhados, o dragão deu a volta na clareira pra fazer um novo ataque. Lá em baixo Peter gritou “Teeeelus, a coleira!! Você tem que tirar a coleira dele!!!”. Lá de cima, o anão não ouviu nada além do vento em suas orelhas, mas Cronus escutou a mensagem, mesmo sem entender. Só que ele se viu sem outra opção além de sair do caminho do lagarto que foi na direção dos arqueiros lá em baixo.
Telus escalou o dragão como se estivesse fazendo rapel, para tentar chegar em seu pescoço. Não para tirar nenhuma coleira, mas para furar sua jugular, única maneira que sabia para detê–lo. Sim, eu sei, Telus é um grosso... Foi nessa hora que ouviu Cronus gritar enquanto voava ao seu lado:
– Você tem que tirar a coleira!!!!
– Atacar a moleira???
– TIRAAAR A COLEEEEIRA!!!

O acampamento se preparou para mais um vôo rasante, quando Miranda deu o grito de debandada: “Ele vai cuspir ácido! Protejam–se!!!”. Khosta fez sua última cartada lançando vários dardos de energia, todos direcionados na coleira do dragão, que permaneceu ali presa. Porém, o reflexo luminoso não deixou de chamar a atenção de Telus que continuou subindo em direção à carótida do bicho. Furioso, o dragão negro castigou os arqueiros lá em baixo com uma nuvem de ácido lançada de sua bocarra.
– Dardos mágicos? Só isso? Cadê aquele raio de antes? – ironizou Miranda.
Khosta nada respondeu. Aqueles que não correram da chuva ácida viram o dragão subindo novamente para fazer uma nova manobra. E em suas costas, Telus, de espada na mão cravando sua lâmina com toda a força... na coleira de platina. Os olhos brilhantes e avermelhados do dragão se arregalaram e ele se sacudiu jogando o anão pra cima, que, a seguir, caiu para o nada com a espada na mão em queda livre.
Cronus, mesmo em velocidade inferior, tentava acompanhar o vôo de perto e, vendo a cena, tentou alcançar o amigo:
– Minha mão segura minha mão! – gritava o elfo.
– EU CONSEGUI, HUÁ–HÁ–Há...

O dragão continuou seu vôo, desta vez para longe do acampamento, sumindo no horizonte, enquanto Cronus desceu em seu vôo com um pesado e desgrenhado passageiro. Com uma espada na mão e um pedaço da coleira de platina na outra.
– Você está bem, seu louco? – perguntou Miranda.
– Se eu estou bem? Eu derrotei um dragão, o que você acha? HUÁ–HÁ–Há...
O acampamento estava cheio de pessoas feridas, umas mais, outras menos, mas não houve nenhuma baixa. O contra-ataque do Barão e de seu bruxo traíra não deixava dúvidas de que eles não tinham morrido no desabamento. Mas também não levaram nenhuma vida naquele dia.
– Obrigado pela carona e pela espada, orelhudo! – Disse Telus ao devolver a espada a Cronus.
– Sem problema. Acho que Lerandra teria gostado de vê-lo usando sua arma de família.
Sem palavras, Telus só arregalou os olhos. Não admitiria que foi uma honra, mas nem precisava. Pra ele, o Sol voltou a brilhar. Mesmo que não tivesse uma cabeça de dragão como troféu.
Sim, sim, eu sei, eu sei. Telus é um grosso...

*****

Dentre os feridos no ataque do dragão negro, estava um aspirante a mago aprendiz, um jovem loiro chamado Kamphio, que não se retirou do campo de batalha nem por um minuto. Miranda trocava seus curativos, quando Khosta chegou para visitá-lo na barraca:
– Epa, eu não queira atrapalhar, volto outra hora.
– Não precisa, Khosta. Eu já estava terminando. – disse a maga.
– Ok...
– Você sabe, ele quase morreu em combate. Mesmo sem feitiços ele permaneceu no acampamento.
– É, eu vi... eu ESTAVA lá também! – respondeu Khosta já mudando o tom.
– E por que não usou aquele raio? O raio que derrubou as vigas da mina do Barão? Era muito mais poderoso do que aqueles dardos mágicos.
– É porqueunum...
– Como?
– Porque eu... Olha, o Peter me deu a dica, o dragão era o mesmo que os atacou antes. E, como o lagarto na caverna, ele possuía um colar de platina.
– Eu já ouvi falar desse encantamento. Mas nunca soube de alguém que tivesse sucesso usando platina pra controlar dragões. Isso pode ser só uma teoria. – responde Miranda enquanto termina outro curativo no aprendiz.
– Eu sei, pode ser viagem da minha parte. Mas o dragão parou de atacar, não parou?
– Foi SÓ por isso que não usou o raio?
– É... por isso. Por isso e porque eu não tenho mais esse feitiço! Satisfeita?
Miranda terminou os curativos e, após uma pausa, mudou o seu tom de conversa:
– Olha, Khosta, sinto muito se eu o ofendi em algum momento com as minhas perguntas. Como Galilélia e Peter confiam em todo mundo por aqui, achei que era hora de começar a abrir o olho contra novas surpresas. E, uma vez que fui eu quem trouxe você para o acampamento, me sinto responsável por sua presença, mesmo não sendo mais sua mestra. Você chegou aqui dizendo que não tinha experiência prática com magia e que queria ajuda para entender o seu livro. E no meio da batalha apareceu com uma magia nova que nem eu mesma sei fazer ainda!!!
– Está bem... De um desconfiado para o outro, eu entendo suas dúvidas. E concordo que você merece uma satisfação. Mas apenas você!
O mago olhou para os lados como se estivesse preocupado em ter alguém por perto e continuou:
– Uma noite antes do ataque ao vulcão, eu tive um sonho. Ou pesadelo, sei lá! Estava num castelo que não conheço, cercado por quadros e esculturas de dragões. Lá, uma dona muito bonita de longos cabelos negros e uma coroa, eu acho, desceu de uma escada como se viesse flutuando em minha direção. Ela me cumprimentou em minha língua natal e me mostrou algo...
– Opa, opa... Será que eu preciso ouvir o resto disso?
– Não é que você está pensando! E é bom que isso fique entre nós pra eu não ouvir gozação. Era um pergaminho com o título “Raio de Ação”. Pediu para que eu decorasse com cuidado, pois era um feitiço poderoso, e que o usasse num momento que achasse apropriado. Não devia anotar nem passar adiante, apenas decorar.
– Uma mulher de cabelos negros e coroa? Não tem ninguém da nobreza aqui na ilha. Quem seria ela?
– Sei lá.... Só sei que eu decorei, usei na caverna e logo depois sumiu da minha cabeça. Tentei anotar o que me lembrava depois, mas não vinha nenhuma palavra.
O jovem pupilo de Miranda que ali descansava levantou uma pálpebra e disse em voz bem baixa:
– Se o Khosta teve todo esse trabalho pra inventar essa história só pra não te deixar sem uma explicação, ele merece continuar no acampamento...
Miranda teve que rir do comentário. Khosta preferiu sacudir a capa feita de pele de urso branco e saiu pela direita, dando boa noite aos dois.

*****

Naquela madrugada, a fogueira no centro do acampamento continuava alta. Todos queriam ouvir do próprio Telus a história sobre como ele espantou o dragão dali. Chegaram a pensar em mover o acampamento daquela clareira, mas pensaram bem e decidiram ficar. Pela teoria de Khosta, já provada duas vezes nos últimos dias, dificilmente o dragão voltaria, já que estava livre do controle da coleira de platina.
Aos poucos, todos foram se recolhendo e ali ficaram apenas Telus, Alambique, Peter e Cronus.
O bardo que acordou todo mundo pela manhã cantava algumas modinhas folclóricas para alegrar os que esticavam a noite mais um pouco. Alambique era um, que esvaziava mais uma garrafa de vinho ao lado do anão.
– Então vocshê vai pra Alzheimer?
Cronus o corrigiu duas vezes:
– É “Álfheimr”. E eu ainda não sei se ele poderá entrar lá!
– Lá vem você com esse papo de eu ser barrado. Se eu contar pros seus amigos de calças verdes que eu espantei um dragão enquanto você voava como uma fadinha pela floresta, eu acho que vão barrar é você, HUÁ–há–há!!!
– VOAVA COMO UMA FADINHA? Fui quem te avisou de que...
– Opa, lá vem, nossha deshtemida anfitriã, Lady Miranda: Todosh de pé!
Alambique se levantou e fez reverência a Miranda, que chegou e o ignorou como sempre. Era o finzinho de inverno e a maga estava mais charmosa do que de costume com um belo manto bem grosso que a cobria por inteiro:
– Olá, senhores. Podemos conversar? Khosta e Galiléia estão vindo também.
– Algum problema, Miranda?
– Não, Peter, só acho que essa pode ser nossa última noite aqui, juntos. Seria bom conversarmos.

O mago e a freira chegaram de braços dados. O frio não assustava Khosta, ele veio de terras cobertas de gelo o ano todo situadas ao distante oeste deste continente. Uma ilha gigantesca, não colonizada ainda, mas que pertence ao Reino Avaloniano.
Já falamos um pouco sobre as rixas entre os Impérios de Titânia e Avalônia, não? O primeiro era um império poderoso e de caráter expansionista. Sua meta era colonizar o máximo de países que pudesse, absorvendo suas culturas e levando como bandeira a “Pax Titaniana”. Algo do tipo “você pode desfrutar de nossa paz ou brigar conosco”.
Diferente deste povo belicoso e de sangue quente são os avalonianos. Magia é o sangue que corre por suas veias. Enquanto qualquer um pode acumular fama e fortuna, só aquele que domina a fina arte do oculto poderá reger a si mesmo e aos que o cercam. Sabendo disso, talvez faça mais sentido o jeito com que Khosta cumprimenta a todos quando chega à beira da fogueira:
– Boa noite, mulambada!
Galiléia começou a conversa:
– Hoje de manhã nós conversávamos sobre a idéia de Augustos de avisar ao Imperador sobre as minas de platina aqui em Argos. Mas Cronus nos alertou sobre o histórico nobre de Lerandra e da importância de leva-la para casa. Para que fique ao lado de seus antepassados em seu solo sagrado.
– Eu tomei a liberdade de fazer um feitiço para preservar seu corpo para a viagem. – disse a maga. – É como um embalsamento mágico. Isso a preservará até vocês chegarem a Álfheimr.
– Vocês? Ué, você não vai, Miranda?
– É esse o motivo da reunião, Telus. Alguém precisa levar essa platina até o César. Mesmo que ele não nos receba, precisamos tentar. Teremos que nos dividir.
– Foi o Khosta quem teve a idéia, mande ele ir!
– É, espertão, um avaloniano querendo uma audiência com o César? Só se for na arena, com os leões!
– Cronus e Galiléia são indispensáveis na viagem. Telus e Alambique irão para cuidar da segurança. Eu e Peter podemos ir até a capital. E você, Khosta, já decidiu se irá com eles?
– Eu vou com eles de barco até o continente. De lá, acho que seguirei o meu caminho...
Galiléia esticou a mão mostrando um copo vazio para Alambique. Ele entendeu e encheu o copo de vinho. Depois de um pequeno silêncio ela brindou à noite:
– Você que sabe, Augustos. Mas de qualquer jeito, espero que saiba que não conseguiríamos chegar tão perto da vitória contra o Barão sem a sua ajuda. Aliás, sem a ajuda de nenhum dos presentes. Amanhã partiremos para longe, em diferentes direções. Eu e Telus somos os únicos aqui que nascemos em Argos e agradecemos a coragem de todos. Mal posso esperar para repetir esse brinde quando estivermos novamente juntos. A Argos e seus corajosos defensores!
Todos fizeram coro com a amiga freira, brindando e bebendo por mais algumas horas. Felizes, não pela derrota do Barão, mas pelo simples fato de estarem juntos.

*****

Ele mal se deitou e já começou a roncar. Foi quando uma voz ao seu lado ameaçou seu sono:
            – Telus... Teeeelus...
– Zzzzzzzzzzzzzzzz…
– Telus... TELUS!!!
            – O que? Como? Onde?
            – Tava dormindo?
            – Que diabos você quer, Peter Paul?
            – Eu não quis acabar com o clima lá fora... Mas eu precisava te falar que eu não vou com a Miranda até a capital.
            – Como assim, não vai? Vai com a gente pra terra dos elfos?
            – Também não. Acho que está na hora de voltar pra casa. Eu não sei lutar direito, não conseguiria tomar conta de Miranda se ela precisasse. E dei sorte de não morrido até agora como Lerandra. Eu ainda tenho muito o que aprender e na minha terra tem gente que pode me ensinar a ser um guerreiro de verdade. Daí, quem sabe eu volto para dar uma coça no Barão!
            – Bem, é uma pena! Você é muito irritante... Mas se não fosse, talvez eu não tivesse te seguido. Foi uma época divertida a que passamos juntos. Você me faz rir, guri!
            O anão esticou a mão em sua direção e Peter pegou um embrulho em seu lado. Dentro dele, uma espada.
            – Você perdeu sua espada na caverna então pode ficar com a minha. Eu compro outra lá em Leemyar, minha cidade natal em Celtária. – disse o rapaz.
            – Obrigado, guri. Eu... bem... Você já avisou a Miranda?
            – Vou avisar pela manhã. Mas já falei com Alambique, ele vai no meu lugar com ela para a capital de Titânia.
– Huá-Há-Há!!! O Alambique vai no seu lugar? Eu quero ver a cara dela quando souber! Como eu disse guri: Você me faz rir... Huá-Há-Há!!!

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